Bom dia meus amores!! Eu vim aqui logo cedinho pra deixar esse texto/ menssagem com vocês, viu? Vou me despedindo por aqui mesmo. Espero que vocês gostem um beijo e tchau.
Eis a verdade sobre as tragédias: elas
fazem bem à alma.
O fato é que sou uma pessoa melhor por
causa das mortes. Se tudo tem seu lado positivo, este, sem dúvida, é bem
frágil. Mas existe. Isso não significa a valha pena, que a troca seja justa ou
algo semelhante, mas sei que sou um homem melhor do que era antes. Tenho uma
noção mais apurada do que é importante. Compreendendo melhor a dor das pessoas.
Houve uma época – parece ridículo agora –
em que eu me preocupava com os clubes quais eu deveria me afiliar, qual carro
deveria comprar, quais diplomas universitários pendurar na parede – toda essa
coisa de status. Eu queria ser cirurgião por que isso deixava as pessoas
babando. Queria impressionar os supostos amigos. Queria ser um grande homem.
Como eu disse ridículo.
Alguns poderiam argumentar que o fato de eu
me sentir um homem melhor é uma consequência da maturidade. Até certo ponto,
isso é verdade. Elizabeth e eu éramos um casal, uma única entidade. Ela era uma
pessoa tão boa que eu podia me dar um luxo de não ser tão bom assim, como se
sua bondade fosse um nivelador cósmico, equiparando nós dois.
Mesmo assim a morte é uma grande mestra. E
dolorosa demais.
Gostaria de poder argumentar que, através
da tragédia, eu descobri um princípio absoluto, desconhecido e impactante que
pudesse transmitir. Não foi o que aconteceu. Os clichês são todos validos – o
que realmente importa são as pessoas, a vida é preciosa, o materialismo é
valorizado demais, as pequenas coisas são as que importam, viva o momento -, e
posso repeti-los exaustivamente. Você poderá ouvir, mas são vai conseguir
internalizar o que eu disser. A tragédia é pessoal. Ela fica gravada na alma. A
gente deixa de ser feliz, mas se torna uma pessoa melhor.
O que torna isso tudo mais irônico é que,
muitas vezes, desejei que Elizabeth me visse agora como dou. Por mais que
desejasse, não acredito que os mortos estejam nos observando ou em qualquer
dessas fantasias com que nos consolamos. Acho que os mortos foram embora para
sempre.
-Não conte a ninguém por Harlan Coben.
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